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1 de Abril de 2020

O Protagonismo Feminino no Mercado de Trabalho

empreendedorismo feminino

Taynara A Leopoldo, Advogado
Publicado por Taynara A Leopoldo
há 2 meses

RESUMO

O presente artigo, tem como principal objetivo refletir a participação das Mulheres no mercado de Trabalho, onde estas procuram cada vez mais executar cargos de liderança, lutando frequentemente contra as barreiras que lhe são impostas, em razão de serem do sexo feminino. Portanto, o trabalho demonstra em síntese o progresso das Mulheres, que eram enxergadas pela sociedade apenas como meras donas de casa, mas com a ocorrência da primeira guerra mundial e sem a presença de seus maridos, surgiu a necessidade de estas trabalharem para garantir a sobrevivência de sua família, somado com a falta de mão de obra nas fábricas, os empregadores aceitavam a prestação de serviços, desde que o pagamento fosse menor. O fato negativo é que mesmo após anos, ainda há resistência aos direitos de igualdade, estando agregado a militância da discriminação de gênero, trazendo como consequência o pagamento de salário inferior para as mulheres, independente de possuir nível superior ao sexo aposto. Logo, as mulheres viram a necessidade de criar soluções para o problema, começando então, a deixar o medo de lado, se impondo com voz ativa, se candidatam a vagas de cargos de chefia e liderança e até mesmo criam seu próprio negócio, procurando ser um diferencial no mundo dos negócios e incentivar suas companheiras a serem donas de si.

Palavras-chave: Mulher. Gênero. Discriminação. Trabalho. Liderança.

ABSTRAT

The main objective of this article is to reflect the participation of women in the labor market, where women increasingly seek to perform leadership positions, often fighting against the barriers imposed on them because they are female. Therefore, the work summarizes the progress of women, who were viewed by society only as mere housewives, but with the occurrence of the first world war and without the presence of their husbands, the need arose for them to work to ensure survival. of his family, coupled with a lack of labor in factories, employers accepted to provide services as long as the pay was lower. The negative fact is that even after years, there is still resistance to equality rights, being added the militancy of gender discrimination, bringing as a consequence the payment of lower salary to women, regardless of having higher level than the betting sex. Soon, women saw the need to come up with solutions to the problem, then starting to put fear aside, imposing themselves with an active voice, apply for positions of leadership and leadership, and even start their own business by trying to be a differentiator in the business. business world and encourage their mates to own themselves.

Key words: Woman. Genre. Discrimination. Job. Leadership.

INTRODUÇÃO

A Sociedade Contemporânea tem como enfoque, muitos projetos, dentre eles está a criação de uma solução a longo prazo, mas de total eficácia na aceitação da Mulher no Mercado de Trabalho, sem tratamento diferenciado.

Os esforços futuramente devem ser remunerados tão somente em razão da prestação de serviço e pelo valor fixado por categoria, deixando-se de lado a questão do gênero. No entanto, enquanto o progresso não se formaliza, mesmo com as dificuldades é preferível não se manter inerte, até que ocorra a aplicação prática, sendo assim, as Mulheres agem por si só, procurando meios estratégicos de demonstrar a sua competência.

É de conhecimento de todos a luta das mulheres pela sua valorização, desde os tempos antigos e quanto avanço conquistaram, como a proteção a maternidade e o direito ao trabalho noturno, mas ainda é fato que muitos empregadores preferem contratar um Homem ao invés de uma Mulher, já que estes estão condicionados a terem menores preocupações.

Levando- se em consideração a força da Mulher e o seu empoderamento, a história procura retratar a importância do sexo feminino, intitulado como sexo frágil, que de frágil não tem nada, pois mesmo que as conquistas vieram em passos não intercalados, houve grande superação naquela opressão de serem proibidas de fazerem o que querem, por isso, nos três tópicos apresentados, cabe refletir que o progresso da Mulher ainda continua acontecendo, e diferentemente do que acontecia antigamente não há o contentamento com o tratamento diferenciado e o mais importante estão criando suas próprias estratégias se colando a frente dos que não aceitam que a contraprestação pelo seu trabalho seja igual ao pago a um Homem. Portanto, enquanto as entidades como a ONU trabalham para um resultado geral, muitas Mulheres criam iniciativas, e de parceria em parceria vão gerando um empreendimento sólido, respeitável e de notório sucesso, incentivando a auto inciativa feminina, deixando de lado o enfoque da discriminação de gênero e conseguindo se sobressair a esta barreira desnecessária e repudiante.

O PROGRESSO DAS MULHERES

A Constituição Federal do Brasil de 1988, preza pelos direitos fundamentais, pela dignidade humana, pela igualdade de gênero, além de outros princípios que tem o dever de promover a inclusão social.

Durante anos, a Mulher não teve direito à educação, a liberdade para trabalhar ou qualquer poder de escolha, visto que enquanto solteira sua única ocupação era ajudar sua mãe nos serviços da casa, aguardando se tornar uma moça vistosa e ter um casamento arranjando, por seu Pai, com o Homem que oferecesse o melhor dote, mas muitas vezes quando crianças já eram prometidas para um futuro casamento, ou seja, a mulher era proibida de estudar, era obrigada a se casar sem amor e ter filhos, pois era intitulada como uma deusa da fertilidade e seu dever era procriar e cuidar de seu marido.

Foi durante a primeira e a segunda guerra Mundial, quando os Homens foram enviados para guerra, que surgiu a necessidade de as Mulheres trabalharem para contribuírem no sustento de sua família, cumprindo assim, jornadas de trabalho exaustivas, por uma remuneração inferior à dos homens, como que seu trabalho não tivesse a mesma precisão técnica e perfeição.

Quando a Mulher começou a ser aceita no mercado de trabalho os empregadores reagiam como se estivessem fazendo um favor, portanto estas não poderiam se beneficiar dos direitos fundamentais fornecidos ao sexo masculino, intitulados como másculos, competentes e provedor da manutenção da casa. Logo, diante do pensamento dominante daquela época seria uma desonra o patriarca da família ganhar o mesmo que sua Mulher, já que esta foi criada para exercer o papel de dona casa e mãe.

Foi a partir do ano de 1919, com a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que se instituíram as normas de proteção especial ao trabalho da Mulher, gerando assim, para várias Convenções e Recomendações da OIT a aplicação de regras englobando diversos aspectos de proteção à Mulher em relação, à inserção no mercado de trabalho, à não discriminação no trabalho, à proteção à gestação e à maternidade e ao respeito às suas características físicas.

Prontamente, no ano de 1932 foi elaborado o decreto responsável pela regulamentação do trabalho da mulher, estabelecendo a vedação da distinção de sexo, salário igual para todo trabalho de igual valor, o salário maternidade, dentre outras prerrogativas, porém em razão do advento do Código Civil de 1916, tecnicamente somente a mulher casada poderia exercer uma profissão, dependendo da autorização do marido, já na Constituição Federal de 1934 ficou expresso o direito ao trabalho independente do estado civil, sendo desde então realizada uma luta pela aplicabilidade do direito adquirido.

Dentre os marcos da história do trabalho da mulher Mauricio Godinho Delgado[1] descreve que:

A Lei n. 9.029, de 1995, estipula regra antidiscriminatória, fixando parâmetros para os casos de dispensa em vista dos fatores de discriminação que menciona (ou seja, “sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade” — art. 1º).

O diploma legal, em seu art. 2º, reporta-se à situação da mulher trabalhadora, com motivos discriminatórios vinculados à temática da gestação, natalidade, maternidade e congêneres. No art. 4º, por sua vez, estabelece que a ruptura do contrato de trabalho “por ato discriminatório, nos moldes desta lei”, abre ao empregado a faculdade de optar entre:

“I — readmissão, com ressarcimento integral de todo o período de afastamento, mediante pagamento das remunerações devidas, corrigidas monetariamente, acrescidas dos juros legais;

II — a percepção, em dobro, da remuneração do período de afastamento, corrigida monetariamente e acrescidas dos juros legais”.

Portanto, a indenização rescisória, em tais casos de discriminação regulados pela Lei n. 9.029, de 1995, é dobrada (e não simples).

Esta punição, ocorreu em razão do fato do empregador enxergar a Mulher grávida como um gasto desnecessário e não como uma colaboradora, já que esta de alguma forma teria sua produtividade reduzida, não podendo mais carregar muito peso, exercer jornadas excessivas, além de ter que ficar um período afastada, devendo este contratar um substituto para realizar as funções da funcionária em licença maternidade. Portanto, essa discriminação trouxe a necessidade da Consolidação das Leis Trabalhistas, elaborar uma seção específica para regulamentação da tutela do trabalho da Mulher, o salário maternidade, a proibição de qualquer tipo de discriminação, exigência de atestado para comprovação de gravidez, inclusive realização de revistas íntimas que caso desrespeitado o empregador deveria arcar com o pagamento de multa.

É como nas palavras de Romar[2] :

Uma das consequências da Revolução Industrial foi o ingresso da mulher no mercado de trabalho. No entanto, a exploração daí decorrente, caracterizada desde o pagamento de menores salários do que aos homens, até a ausência de qualquer preocupação em relação à gestação e à maternidade, foi tão grande que levou à formação de um sistema de proteção à mulher, desenvolvido a partir do século XIX.

Conforme ocorre a evolução social a legislação sofre alterações condizentes com a realidade do momento, e durante o percurso do tempo as Mulheres conquistaram direitos de igualdade quanto a realização do trabalho noturno, o trabalho em condições insalubres e perigosas, conquistaram cargos, como de Ministras, Delegadas, juízas, Presidente da República, dentre muitos outros cargos importantes. Com a Reforma Trabalhista (Lei n. 13.467/2017), houve a revogação de um tratamento diferencial constante no art. 384 da CLT, que dizia ser obrigatório a concessão de um descanso de 15 minutos antes da prorrogação do horário normal de trabalho da mulher e do menor de 18 anos, este é um exemplo de uma garantia desnecessária, e que na prática pode ser que nunca teve aplicabilidade, já que a Mulher tem capacidade de prolongar sua jornada de trabalho sem a necessidade de uma pausa ao final da jornada normal.

Portanto, o progresso foi e continua sendo árduo e mesmo com alguns avanços na aceitação da mulher no mercado de trabalho é inegável que ainda ocorre alguns retrocessos, não na lei, mas na aplicabilidade perante a sociedade que ainda se remetem aos costumes antigos, aceitando sim que a mulher pode trabalhar, porém crentes que o seu desempenho tem um valor menor.

A DISCRIMINAÇÃO DE GÊNERO

Determinar o gênero da pessoa pela cor da roupa ou pela profissão exercida já virou clichê e algo que se reparado por senhores e senhoras sensatos é inconveniente, pois cada qual deve ter liberdade de escolher como se vestir, com o que trabalhar, sem se esquecer que futebol não é só para meninos, como cozinhar não é só para meninas. O poder não deve estar nas mãos de um Homem, porque este é visto por sua natureza como autoritário e cheio de barganhas para os negócios, mas sim ser conquistado através de oportunidades iguais.

Sendo assim, conforme Mary Wollstonecraft[3] declara:

A fim de explicar e desculpar a tirania do homem, diversos argumentos engenhosos têm sido apresentados para provar que os dois sexos, na busca da virtude, devem ter em vista objetivos bem diferentes ou, para falar francamente, não se admite que as mulheres tenham suficiente força mental para obter aquilo que realmente merece o nome de virtude. No entanto, se reconhecermos que elas têm alma, poderíamos pensar que há apenas um caminho designado pela Providência conduzindo a humanidade à virtude ou à felicidade.

O atraso nas relações de trabalho, está pela falta de respeito, de empatia com o esforço do próximo e incapacidade de admitir que uma Mulher pode realizar algo com a mesma perfeição que um Homem, ou até melhor. A sociedade sempre idealizou a Mulher como quem faz o que mandam e não discute, ter voz seria um ato de ousadia e dependendo da situação a consequência por ter feito diferente seria toda culpa sua, pensamento machista e retrógado, dado que não é legal, ser diminuída e menosprezada, ser assediada por usar uma saia, por ser atraente e o mais importante não é certo, em nenhum lugar. Uma mulher que trabalha em volta de homens não merece e nem deve aturar comentários machistas, receber excesso de trabalho de seu superior, que tem o intuito de conseguir algo em troca para diminuir o sobrestamento de afazeres. O assédio sexual dentro do local de trabalho não pode continuar existindo, empregadores não podem usar a necessidade que a pessoa tem de trabalhar para tirar vantagens sexuais, os patrões devem conscientizar seus funcionários e não admitir atos eu faltem com respeito a intimidade do próximo.

Logo, de acordo com Mauricio Godinho Delgado[4] pode-se dizer que:

É exemplo de aplicação do princípio não discriminatório no Direito do Trabalho a proibição de tratamento jurídico-contratual desigual à empregada em desfavor do empregado, em face de ser ela mulher. Hoje, a diferença sexual (ou de gênero) não pode ser utilizada, em si, como critério de valoração; hoje, se essa diferença for utilizada como fator desqualificante, será tida como fator injusto, inaceitável, discriminatório. Rejeitar a ordem jurídica tal diferenciação significa, pois, estar ela assegurando, de fato, um piso mínimo de civilidade para as relações contratuais entre os pactuantes.

Já foi esgotado o tempo para o fim da discriminação e opressão contra a Mulher, ela não é o sexo frágil, pelo contrário, ela sofre, engole sapo, vai ao seu limite para sobreviver em um mundo corporativo, mesmo não tendo muitas vezes o seu valor reconhecido. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD C)[5] com dados relativos ao quarto trimestre de 2017, é possível dizer:

Foi comprovado que ainda há muito a conquistar na direção da igualdade de gênero, sendo que “Das 40,2 milhões de trabalhadoras, 24,3% haviam completado o ensino superior, enquanto entre os homens ocupados a proporção era de 14,6%. Apesar disso, em média, as mulheres que trabalham recebem rendimentos 24,4% menores que os dos homens.

A realidade vivenciada é que mesmo que uma Mulher tenha uma formação escolar superior à de um Homem, este continua tendo preferência em contratações e salários mais elevados, ou seja, o mercado de trabalho cobra muito mais da mulher, mas não paga uma remuneração condizente com a sua especialização. Ainda, a pesquisa também revelou que 6,0% dos Homens trabalhadores eram empregadores, enquanto a proporção das mulheres ocupadas nessa posição era praticamente a metade, totalizando 3,3%, o mesmo ocorre quanto a posição de trabalhador familiar auxiliar, caracterizado pelo não recebimento de salário, sendo mulheres 3,5% e Homens 1,5%.

É totalmente visível ao analisar a pesquisa que a sociedade divide o mundo em coisas que são para meninas e coisas que são para meninos, pregando que estas não devem se misturar, por isso Mulheres são selecionadas para exercer atividades culturalmente identificadas como “femininas”, como empregada doméstica, atividade de magistério, enfermeiras e assistentes sociais, ou seja, estão destinadas ao exercício de profissões com menores salários. Se invertendo a proporcionalidade na atuação em atividades que foram criadas pensando nos Homens, ou seja, a construção civil e transporte, armazenagem e correio, estando as mulheres presente apenas em 0,5 e 1,2 %, respectivamente, sendo um número muito ínfimo, até se pararem para reparar as entregas pelo correio são feitas sempre por Homens, se em algum local for realizada por Mulheres, é como uma exceção e um aprimoramento neste modelo de execução do trabalho.

Em contrapartida, no setor da administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, a participação das mulheres (25,2%) superou a dos homens (10,9%), um dos motivos é porque, na administração pública há o princípio da impessoalidade e da isonomia, logo quem for aprovado no concurso público terá o direito de receber o valor do vencimento referente ao cargo, independentemente do seu sexo, já no setor privado o sistema é diferente, quem manda faz suas regras, mesmo estando expresso na Constituição Feral que é vedado a diferenciação de salário, em torno disso as estáticas do ano de 2018, mostra que o rendimento das mulheres equivaliam-se a 79,5 % do valor pago aos homens, tendo ambos o mesmo nível escolar, exercendo a mesma quantidade de horas e a mesma função.

A autora Sheryl Sandberg[6] , descreve em seu livro que:

Os estereótipos de sexo incutidos na infância são reforçados ao longo de toda a nossa vida e são como profecias que, de tanto serem repetidas, acabam se realizando. Os cargos de liderança são na maioria ocupados por homens, e assim as mulheres não esperam alcançá-los, e esta passa a ser uma das razões pelas quais elas não os alcançam. O mesmo se aplica ao pagamento. Os homens, geralmente, ganham mais que as mulheres, e assim as pessoas esperam que as mulheres ganhem menos. E então elas ganham.

Contudo, não há uma explicação plausível para entender o porquê da não aceitação da igualdade de gêneros, além da procrastinação de um costume arcaico que foi passado de geração em geração e que por mais que os tempos mudem, ainda existem pessoas com ideologias ultrapassadas, já que receber garantias igualitárias é um direito fundamental que não pode lhe ser negado, retirado ou renunciado. Diante disso, é um retrocesso social esta exclusão, pois é necessário a diversidade, a inclusão, o respeito mútuo para Homens e Mulheres, além de que as oportunidades devem sim serem aproveitadas, mas o salário tem que ser condizente, sem exploração de um lado ou extorsão de outro.

A LUTA PELA LIDERANÇA FEMININA

Ser mulher em pleno século XXI é enxergar um mundo bem à frente de liderança feminina, reconhecer que foi uma batalha árdua e ainda há resistências, deboche, falta de credibilidade desencadeada pelo machismo e um conceito de vida remoto, mas independente dos contraditórios, Mulher tem garra, jeito, é cheia de visão e empoderada, percorrendo cada vez mais seus objetivos, seguindo motivando outras mulheres, além de compartilhar conhecimento e estar aberta a criação de parcerias.

Tatau Godinho[7] afirma que:

Reconfigurar o espaço e o reconhecimento das mulheres na sociedade brasileira tem sido um desafio importante das políticas públicas no Brasil. Ainda que não seja possível elencar as distintas políticas, é importante destacar alguns aspectos. Tendo no centro da proposta de governo, nos últimos anos, romper com a extrema desigualdade econômica e social que marcou nossa história, as políticas públicas possibilitaram uma mudança significativa na vida das mulheres. No âmbito do trabalho e emprego, as mulheres elevaram sua participação em todos os setores; usufruíram mais intensamente das políticas de acesso à educação, em especial à educação superior; aos programas de qualificação profissional; à ampliação do crédito para a produção. As políticas de renda e, em especial o aumento sistemático do salário mínimo, assim como o aumento da formalização do emprego têm impacto mais expressivo na vida das mulheres negras, que ainda ocupam as faixas salariais mais baixas. Romper com a desigualdade de gênero no Brasil, significa romper, ao mesmo tempo com a desigualdade racial. A persistência da defasagem salarial entre mulheres e homens demonstra que é indispensável aprofundar as políticas de promoção das mulheres no mundo do trabalho; estimular mudanças nos padrões tradicionais de sobrecarga das mulheres com as responsabilidades cotidianas e familiares; promover mudanças na legislação, como foi feito em relação às trabalhadoras domésticas; fortalecer o questionamento e a ruptura com as relações de discriminação.

A Mulher está deixando cada vez mais de fazer o papel passivo, para se tornar uma influenciadora nos meios de comunicação, no local de trabalho e nos espaços que tem a oportunidade de mostrar a sua visão, é como fazer da barreira uma nova forma de aprendizado, posto que enquanto empregadas estas tendem a receber salários menores, surgindo assim, a necessidade e o desejo de criarem seu próprio empreendimento.

O Empoderamento feminino gira em torno da ação, não é só almejar algo, é lutar por oportunidades de estudo, de trabalho, de tratamento igualitário, é ser livre para escolher o melhor para si mesma, e justo por não ficarem paradas esperando que a oportunidade venha até elas, que a ONU deduz, por suas estratégias, focadas em objetivos coletivos e inclusivos, que no ano de 2030 as barreiras da igualdade de gênero estarão vencidas, será o total de 11 anos, havendo muito tempo para criar metas, implantá-las e fazer desaparecer de vez a desigualdade, ou seja, o resultado deve ser uma sociedade evoluída o suficiente para as pessoas respeitarem e valorizarem o trabalho do próximo que não veio sem esforços.

O bonito de ser ver, é a esperança, a garra, a coragem de ser ousada e investir em seus sonhos, sem se preocupar com os comentários negativos, é o verdadeiro significado de, se não vão me dar o que é meu por direito, eu mesma vou ser capaz de concretiza-lo. Mulheres fortes são fonte de inspiração e motivação para sair de uma vida monótona fundada em trabalhar para pessoas que não demonstram reconhecimento, à vista disso, vão de passo a passo para tornarem-se uma empreendedora individual de sucesso. Um exemplo de incentivo e admiração pelo trabalho feminino é a Revista Forbes, que lançou uma série de vídeos sobre mulheres empreendedoras, intitulado como Forbes Mulheres, está sobre o comando da jornalista Fabiana Scaranzi, com publicação no canal Forbes Brasil no You Tube, uma das entrevistadas foi a Viveka Kaitila, CEO da GE Brasil, que afirmou que para chegar a onde está teve que aprender a ter coragem, visto que a Mulher tem mais receio de aceitar posições onde ela não se sente confortável, em razão de não conhecer ,exatamente como é aquela função, ainda assume que os riscos foram de grande importância para a sua carreira, já que sempre almejou uma carreira de liderança, que pudesse causar impacto e colaborar com suas opiniões para gerar resultados. Hoje em sua posição, Viveka preza pela inclusão de jovens recém-formados para poderem também atingirem o sucesso, enfatizando a importância do compartilhamento de conhecimento para o crescimento como profissionais.

Sandeberg,[8] enfatiza que:

Sem o medo, as mulheres podem procurar o sucesso profissional e a realização pessoal e ter a liberdade de escolher um ou outro, ou ambos. No Facebook, nós nos esforçamos para criar uma cultura que encoraja as pessoas a correr riscos. Temos cartazes por todo o escritório reforçando essa atitude. Um deles diz em letras vermelhas: “A sorte favorece os ousados”. Outro reforça: “Avance e arrisque”. Meu favorito diz: “O que você faria se não tivesse medo? ”.

Logo, a presença da Mulher em cargos importantes deve ser aumentada desde já, com porcentagens equivalentes nas funções de liderança e de tomada de decisão, para ambos os gêneros. Diante disso, a chave para um progresso está na auto iniciativa, na adaptação das empresas, na participação e conscientização do poder público e no apoio masculino.

Com tudo isso, a privação de garantias e direitos não é a perda da chance de ser uma pessoa bem sucedida, mas sim o que faz com que ele venha à retardar, é o comodismo, pois pessoas otimistas veem a oportunidade de se reinventarem todos os dias, é por isso que as Mulheres estão cada vez mais se destacando, estas não enxergam a concorrência, um mercado saturado, mesmo que seja realidade, mas sim a necessidade de fazer algo diferente e inovador, sem se preocupar em ter que ser a melhor naquilo, porém sim a que apresenta uma solução que cause empatia e admiração pela iniciativa, seguindo assim, algumas cuidando da casa, do marido, dos filhos, dividindo seu tempo com a família e com os amigos e prontamente focando nos seus objetivos de crescimento, pois existe paixão uma vontade de vencer e demonstrar capacidade independentemente se no começo dá mais errado do que certo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O conformismo é a pior escolha que o ser humano pode fazer, muitos dizem que para tudo se tem uma solução, menos para morte e é com esse pensamento que a tentativa de exclusão em razão do gênero deve ser superada, se o direito é seu, um terceiro não pode lhe restringir por convicções e cresças que já não são mais válidas, dado a evolução social.

Acontece que hoje em dia, existe mais facilidade para se contornar os pontos negativos, dado que a busca pela realização em longo prazo, é para se evitar uma obrigação que gere revolta e caos no meio social, surgindo assim a tolerância com as pessoas que não respeitam os direitos de igualdade, pois a opressão não gera o sentimento de fraternidade, e ação de livre e espontânea vontade, mas sim sentimento de restrição de liberdade e escolha, resultando assim cada vez mais em uma resistência em fazer o correto, entender, aceitar e propagar a importância da igualdade de gêneros.

A exclusão não é o fim para tudo, pois o tratamento diferenciado em um local não generaliza o restante, as Mulheres já têm o hábito de procurar soluções em seu lar, tendo assim, a visão que o mercado de trabalho também funciona de forma estratégica, mas não copiando o projeto de outras pessoas, apenas se inspirando para criar sua própria marca. É necessário se evitar conflitos, e engam-se quem vê como comodismo e contentamento, visto que a frequência em pequenos passos tem objetivo de levar ao desejado, não é à toa que a paciência é uma virtude, tudo aquilo que começa a surgir aos poucos quando deslancha tem o poder de causar impacto, porque a partir disso o destaque só aumenta.

O progresso das mulheres é algo de se orgulhar, é algo que daqui a alguns anos para outras mulheres acontecerá ainda mais rápido, o tempo anda passando rápido demais, só que as ideias vão se propagando, se adaptando com os contextos, é necessário ser criativo e flexível, ficar batendo, só em uma tecla, sem tentar corrigir os erros, ou se abrir ao novo, não traz avanços.

O mundo sofre muito pelas diferenças, de gênero, de cor, de classe social, pelo descontentamento com a evolução, a ignorância por não admitir ver uma Mulher lhe dando ordens, quem dirá se está for negra, mas felizmente o seu esforço, a tua garra, o seu potencial e tudo que sabe ninguém tira de você, vão ter que se contentarem em pegar menos pelo trabalho das Mulheres, só que isso não é permanente e o fato assusta os desobedientes, porque há muito enfoque para acabar coma as diferenças.

Entendo por fim, que a geração atual feminina, entende melhor o seu valor e não se contenta em esperar uma oportunidade, ela sabe se virar sozinha, aceita as críticas como uma forma de se dedicar mais e mostrar primeiramente para si mesma que é capaz e depois aos que duvidaram do seu potencial. Dado isto, é preciso cada vez mais de Mulheres assim, que lutam em suas batalhas sem esperar que alguém consiga algo para também usufruir, é justo que a liderança feminina venha de Mulheres, empoderadas, dedicadas e sem medo de cair e ter que levantar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSIS, Maria Elisabete Arruda de; SANTOS, Taís Valente dos (Org.). Autora: GOLDINHO Tatau. Memória feminina: mulheres na história, história de mulheres. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2016.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 16 ed. rev. e ampl. São Paulo: LTr, 2017.

FORBES. Forbes lança série de vídeos sobre mulheres empreendedoras com Fabiana Scaranzi. Disponível em: https://forbes.uol.com.br/colunas/2019/04/forbes-lanca-serie-de-videos-sobre-mulheres-empreendedoras-com-fabiana-scaranzi/. Acesso em 13/08/2019.

OLIVEIRA, Nielmar. Mulher ganha em média 79,5 % do salário do Homem, diz IBGE. Agência Brasil. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-03/mulheres-brasileiras-ainda-ganham-menos-que-os-homens-diz-ibge. Acesso em 13/08/2019.

ROMAR, Carla Teresa Martins Direito do trabalho; coordenador Pedro Lenza. – 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

Sandberg, Sheryl Faça acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar; tradução Denise Bottmann. — 1ª- ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

SARAIVA, Adriana; BELLO, Luís; RENAUX, Pedro. Agência IBGE notícias. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20287-no-dia-da-mulher-estatisticas-sobre-trabalho-mostram-desigualdade. Acesso em: 12/082019.

VADE MECUM SARAIVA OAB/ obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Lívia Céspedes e Fabiana Dias da Rocha- 15. Ed. atual. E ampl. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

WOLLSTONECRAFT, Mary. Reinvindicação dos Direitos da Mulher. Edição comentada do Clássico Feminista. Boitempo Editorial, 2006.

YOU TUBE: Canal Forbes- Forbes Mulher por Fabiana Scaranzi. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vF4h2vKGjpg&list=PLCro8mrM9hOMeZqsRyrZRDu5I8lBQiTu8&index=4. Acesso em 12/08/2019.


[1] DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 16 ed. rev. e ampl. São Paulo: LTr, 2017, p. 742.

[2] ROMAR, Carla Teresa Martins. Direito do trabalho; coordenador Pedro Lenza. – 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018. p.777.

[3] WOLLSTONECRAFT, Mary. Reinvindicação dos Direitos da Mulher. Edição comentada do Clássico Feminista. Boitempo Editorial, 2006, p.39.

[4]Ibidem, p. 904.

[5] SARAIVA, Adriana; BELLO, Luís; RENAUX, Pedro. Agência IBGE notícias. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20287-no-dia-da-mulher-estatisticas-sobre-trabalho-mostram-desigualdade. Acesso em: 12/082019.

[6] Sandberg, Sheryl. Faça acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar;; tradução Denise Bottmann. — 1ª- ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 37.

[7] ASSIS, Maria Elisabete Arruda de; SANTOS, Taís Valente dos (Org.). Autora: GOLDINHO Tatau. Memória feminina: mulheres na história, história de mulheres. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2016. P. 21/22.

[8] Ibidem, p. 40.

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